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A direita avestruz (parte 2)

15/02/2012

Apesar de se auto-proclamarem o supra-sumo do pragmatismo na hora de tudo cederem em troca de um pouco de livre mercado, a nossa direita de pragmática não tem absolutamente nada, nossos direitistas ignoram a opinião das massas e os fatos e vivem numa torre de marfim ideológica enquanto são esmagados pela esquerda na rua e nas urnas, como diria o Zé Dirceu. O maior exemplo de que a esquerda só pode ser derrotada por um discurso conservador que reafirme a defesa dos valores tradicionais que ela pretende destruir foi durante a campanha presidencial de 2010, onde José Serra foi salvo de uma humilhante derrota no primeiro turno graças a militância anti-aborto que botou o dedo na ferida. Mas tudo isso não parece sensibilizar a nossa direiteca, que acumula derrotas políticas e eleitorais e insiste nos mesmos erros, achando que todo mundo raciocina apenas a partir de cálculos e conveniências econômicas, eles medem o mundo por si mesmos, é maior evidência de sectarismo possível. Além de sectários, nossos direitistas são arrogantes, pois além de não estudarem e tacharem qualquer um que diga algo que não estão acostumados a ler na grande mídia de “paranóicos” e “teóricos da conspiração”, proclamam a irrelevância de qualquer debate cultural ou moral com pose e ar de superioridade olímpica, como se tudo soubessem a respeito do seu inimigo. Como diria Olavo de Carvalho, a impotência gera a onipotência, ele próprio é a prova viva da petulância da direita tupiniquim, tendo durante anos pregado no deserto a respeito do Foro de São Paulo, órgão máximo de articulação da esquerda latino-americana.

Não é nenhum exagero dizer que nossos liberais (e portanto, praticamente toda a nossa direita) não passam de idiotas úteis a serviço da revolução cultural gramsciana, pois podem ser facilmente feitos de idiotas pela esquerda, basta prometer-lhes uns trocados a mais ou não atacar diretamente a economia de mercado. Kátia Abreu, outrora considerada aguerrida senadora oposicionista, debandou para o PSD com algumas concessões ao agronegócio no Código Florestal e, verdade seja dita, ela só era considerada “direitista” apenas por que não gostava do MST. Eis o ponto central da fragilidade da nossa direita: a visão totalmente fragmentada do inimigo. Enquanto a esquerda age em todas as frentes possíveis, visando atingir o Ocidente em toda sua amplitude, a direita se dedica a defender interesses grupais ofendidos e assim cedendo em todas as outras frentes. O maior exemplo foi durante o bafafá que se seguiu ao PNDH3, onde o tal plano teve suas duas edições anteriores publicadas durante o governo FHC, que foi apoiado, do primeiro ao último dia, pela direita brasileira, comprada com alguns carguinhos e meia dúzia de privatizações.

Outra grande desvantagem é a diferença de horizonte entre direita e esquerda. O horizonte de um esquerdista é décadas no futuro, planejando ações que terão resultados somente após a próxima geração ser educada segundo os ditames da revolução cultural. Quem poderia imaginar que, por exemplo, a contracultura dos anos 60 fosse produzir sociedades tão disfuncionais quanto a dos países europeus hoje em dia, incapazes até mesmo de se reproduzirem (é assunto pra outro post) e resistirem a invasão islâmica que ameaça substituir a decadente civilização europeia? Enquanto isso, o horizonte da direita é, na melhor das hipóteses, a próxima eleição. No confronto entre um grupo que planeja concretizar suas ações muito além do horizonte de visão de seus adversários e outro que só pensa em sua sobrevivência imediata, não é preciso ser um gênio para concluir quem vencerá. Temos a versão política da fábula da cigarra e da formiga.

Outro problema da nossa direita é sofrer do medo de contrariar seus inimigos e o desejo de serem aprovados pelos mesmos. Nossa direita, assim como a direita “aceitável” no mundo todo, morre de medo que seu direitismo ultrapasse a barreira do aceitável pela esquerda, sentem tanto medo de se parecerem “preconceituosos” que se apressam em se parecerem tão politicamente corretos quanto o esquerdista mais próximo, nosso maior exemplo é o Reinaldo Azevedo, que na hora que a coisa aperta, não perde a chance de bancar o moderninho. Por falar em RA, a revista que ele trabalha é o retrato da miséria moral e intelectual da nossa direita, afinal, o máximo que nossos direitistas conseguem ler é a última edição da Veja, que é uma revista liberal, progressista e que sente tanto horror do conservadorismo quanto da esquerda, considerados ambos “atrasados” pela revista. É claro que não poderia deixar de mencionar aqueles liberais que querem fazer a revolução cultural antes que os comunistas o façam, com a pequena diferença de que querem faze-la através do livre mercado ao invés da ação estatal direta, uns por convicção, afinal o iluminismo também é filho da Revolução Francesa, outros por idiotice, pois acham que a revolução cultural é uma consequência fortuita de um determinismo histórico irresistível.

Nesse contexto, não vejo saída para a nossa direita que não seja descer do pedestal e começar a estudar, do contrário, continuarão a ser buchas de canhão do PSDB, ao qual aceitam de bom grado, afinal sua rejeição ao PT é apenas estética. O DEM ensaia a candidatura de Demóstenes Torres a presidência em 2014. Deixar de ser filial do PSDB é necessário, mas se continuar com esse discursinho liberal e moderninho, não vão a lugar nenhum. O anti-petismo pode até catapultar um suposto direitista a vitória eleitoral, mas um eleito nada pode contra a ação sistemática de uma militância incansável, Collor e Yeda são os maiores exemplos de que, para ter o poder, não é necessário apenas ocupar um cargo.

A direita avestruz (parte 1)

14/02/2012

Que a disputa política no Brasil é um duelo entre partidos de esquerda e o principal partido supostamente de oposição é quase tão esquerdista quanto o próprio PT e não faz outra coisa além de críticas moderadíssimas a nossa presidente, qualquer pessoa medianamente inteligente pode concluir. Apesar de todos os escândalos e quedas de ministros, a Dilma continua com a popularidade nas alturas e, salvo algum cataclismo, considero como praticamente um fato a vitória do PT na próxima eleição. É sabido também que aquilo que é considerado direita nesse país está sendo paulatinamente varrido da cena política. O DEM, supostamente herdeiro da antiga Arena, tem hoje menos de trinta deputados num congresso onde já teve mais do que o triplo, a criação do PSD foi o golpe de misericórdia em um partido que já estava moribundo. Diante dessa situação, qualquer um deve se perguntar o por quê e como as coisas chegaram a esse ponto, como um país em que a maior parte dos eleitores acredita em valores conservadores vê a esquerda governar o país desde o fim do regime militar? A resposta é que a nossa sedizente direita é composta por verdadeiros avestruzes em forma de gente. Quando confrontados com um discurso que fuja ao que estão acostumados a ver na grande mídia, enfiam a cabeça na terra. É óbvio que isso não é exclusividade brasileira, mas o Brasil é um grande criadouro dessas aves.

Sendo bem sucinto, o grande problema da nossa direita é que quase todos não estudam e só leem jornal, quase nada sabendo sobre a estratégia, objetivos e meios pelo qual o inimigo alcança o poder e a hegemonia política. E digo mais: não sabem nem mesmo o que é a hegemonia política e nem sabem direito o que uma verdadeira direita deveria defender. Posso listar como única exceção a esse verdadeiro quadro da dor sem moldura: o Olavo de Carvalho e seus colaboradores do Midia sem Máscara, assim como seus alunos e leitores, por que se depender do resto, veremos o PT governar o Brasil até o fim dos tempos, e não seria nenhuma injustiça, a nossa direiteca pede pra apanhar.

Podemos começar pela própria definição sobre o que direita e esquerda representam no cenário político. A distinção entre as duas correntes políticas se deu durante a Revolução Francesa, onde os nobres e o clero se sentavam a direita e a burguesia sentava-se a esquerda do rei na Assembléia de Estados Gerais. Olavo de Carvalho diz que direita é a corrente política que legitima suas ações com base na experiência passada, ao contrário da esquerda, que age para concretizar um futuro hipotético. O que temos no Brasil é uma direita que nem sabe o que deveria defender, uma direita que nem ela mesma sabe o que é. A definição de direita e esquerda no Brasil tornou-se tão somente a visão de cada um sobre a política econômica, reduzindo o pensamento direitista a pura e simples defesa da economia de mercado contra um suposto estatismo socialista que pretende acabar com a livre iniciativa e a propriedade privada. Toda e qualquer discussão que ultrapasse o debate econômico e administrativo é rechaçado pela própria direiteca tupiniquim como sendo sem importância ou no mínimo secundário.

Toda essa confusão deriva do fato de que a esmagadora maioria da direita nacional renunciou a qualquer traço de conservadorismo, aderindo quase que inteiramente ao ideal liberal-burguês, que consiste basicamente na defesa do livre mercado e de um punhado de liberdades individuais, muito diferente da definição tradicional de direita. Por isso, não acredito na existência de uma “direita liberal”, pois um verdadeiro direitista só pode ser conservador, no sentido de defender todo um modo de vida e não apenas a liberdade de comprar e vender. A esquerda, por sua vez, sempre se manteve fiel ao seu objetivo original, que é criar uma sociedade inteiramente nova a partir do rompimento e destruição do modo de vida tradicional e a construção de uma sociedade planejada nos seus mínimos detalhes por uma casta de burocratas encarregados de construir o paraíso na terra.

No plano concreto, vemos que o principal campo de luta da militância esquerdista é o campo cultural e moral, seu inimigo é a civilização ocidental e tudo o que fundamenta sua existência. Bandeiras como feminismo, gayzismo, multiculturalismo, liberação das drogas, abolição das fronteiras e das soberanias nacionais em nome de um governo supranacional e do próprio conceito de estado-nação em si, são o foco de praticamente toda a militância esquerdista, camuflado sob a bandeira do “progressismo” e difundido por uma miríade de ong’s, universidades e veículos de comunicação. Diante disso, podem tranquilamente ser acomodados movimentos aparentemente inconexos ou até mesmo contraditórios, de feministas radicais a muçulmanos defensores do apedrejamento de mulheres, todos andam de mãos dadas para enfraquecer e derrotar o Ocidente. A adoção da economia planificada deixou de ser o meio pelo qual se chegará ao paraíso socialista, A China é o maior exemplo de que o poder comunista sobrevive a doses até mesmo generosas de livre mercado.

No plano brasileiro, se o governo petista não é nenhum exemplo de disciplina fiscal e austeridade, também não é uma ameaça iminente a economia de mercado e a propriedade privada, não houveram estatizações nem coletivizou-se o campo, e muitos empresários estão felizes da vida com o PT, nunca ganharam tanto dinheiro, Eike Batista e Jorge Gerdau que o digam. Ufanismos e maquiagens a parte, o segundo mandato do Lula experimentou um crescimento econômico maior que em governos anteriores, principalmente o governo FHC, que ainda coleciona uma considerável quantidade de fãs entre a direiteca brasileira. Diante de tudo isso, nossos direitistas estão sem chão, ao repetir seu discursinho liberal, estão simplesmente pregando no deserto, sem nenhuma capacidade de atrair a simpatia das massas, que veem na nossa direita apenas um punhado de almofadinhas com palavreado pomposo. Embora não considere o Nivaldo Cordeiro grande coisa, ele escreveu um bom artigo sobre o por quê da falência do discurso liberal em combater a esquerda, Olavo de Carvalho também escreveu outro bom artigo sobre isso.

Se a direita brasileira desse mais importância ao que existe fora do alcance da sua viseira economicista, não estaria nessa situação tragicômica. O PT tem promovido todos os itens da revolução cultural gramsciana, de cotas em universidades ao kit gay, o programa cultural da esquerda está sendo implantado a todo vapor, mas tudo isso recebe no máximo uma pequena atenção da nossa direita, mais empenhada em ficar dando murro em ponta de faca, ou seja, criticar o PT por detalhes técnicos e fiscais. Como prova cabal do que eu digo, não se consegue ver, em nenhum dos canais de pensadores que compõem a direita nacional, nenhuma condenação direta ao programa cultural esquerdista e nenhuma palavra que vise promover os valores tradicionais, com exceção, já citada por mim, do Mídia sem Máscara e das páginas dos seus colaboradores. Os exemplos mais evidentes do escapismo da nossa direita são o patético Movimento Endireita Brasil e o Instituto Millenium: o primeiro se resume a discurseira surrada dos liberais, tentando vender o velho como se fosse novo, e o segundo, em um e-mail ao jornalista Janer Cristaldo, assumiu expressamente que não se interessa por nenhuma discussão que não seja sobre picuinhas sobre economia e administração. Patético, no mínimo.

Retomando

15/07/2011

Após um longo período de ausência, resolvi retomar o blog, usando-o apenas como registro das minhas anotações pessoais. Não pretendo divulgar o que é escrito aqui, pelo menos por enquanto, a não ser para alguns amigos próximos. Talvez um dia jogue tudo isso no ventilador…

 

Eu sou o Antijornalista e esse é meu blog, ninguém te mandou vir aqui.

Um continente moribundo (ou vamos ao que interessa)

04/12/2010

Eu podia escrever mais um post sobre o cenário político brasileiro, mas não tenho saco para isso, a política brasileira é muito monótona: oferece apenas infinitas variações sobre um mesmo tema esquerdista. Prefiro me concentrar em temas mais importantes do que o debate do “amém” contra o “sim senhor” que virou a política brasileira.

Não há outro fenômeno tão escondido pela mídia tupiniquim como aquele que eu chamo do fim do Velho Continente tal como o conhecemos. Tudo o mais constante, a Europa se tornará uma extensão do Oriente Médio ou se dissolverá numa “pasta” multicultural, fenômeno causado pelas anêmicas taxas de fertilidade das mulheres européias e da imigração de milhões de pessoas do Terceiro Mundo, especialmente de países muçulmanos. O que eu escrevi agora poderá chocar aqueles que assistem ou lêem a grande mídia brasileira e se acham bem-informados. Existe até um neologismo para descrever o futuro estado das coisas por aquelas bandas: “Eurábia”.

As badernas promovidas por “jovens” nas periferias de cidades francesas em novembro de 2005 e a polêmica das charges do profeta Maomé num pequeno jornal dinamarquês são apenas a ponta do iceberg de um processo que pretende transformar os europeus de origem em cidadãos de segunda classe em seus próprios países, seja via implantação da Sharia pelos muçulmanos ou pelo multiculturalismo das elites que governam o continente, tendo sua expressão máxima na nomenklatura instalada em Bruxelas que comanda a União Européia. Me referi a esses dois episódios, o das badernas e das charges, por serem aqueles que a mídia brasileira não conseguiu esconder,  tendo que noticiá-los em versões distorcidas e sempre favoráveis aos muçulmanos, é claro. As arruaças de imigrantes ou seus descendentes nas periferias das grandes cidades européias deixaram de ser notícia pelo simples fato de terem virado rotina, exemplos mais recentes ocorreram em Lyon e em Grenoble. Mas isso não é exclusividade francesa, na Alemanha, a situação nos subúrbios de maioria imigrante chegou a tal ponto que as autoridades pediram o penico e requisitaram policiais turcos para patrulha-los. Episódios semelhantes ocorrem em Mälmo (cidade com maior população proporcional de muçulmanos na Europa) Copenhague e diversas outras cidades da Europa Ocidental. Fico apenas com esses fatos por enquanto, pois se fosse escrever sobre outros tipos de crimes cometidos por imigrantes, como a onda de estupros na Suécia, isso consumiria todo o resto do post.

O iminente (na opinião deste que aqui vos tecla) colapso do Velho Continente reside em dois pilares: o “inverno demográfico” e a imigração em massa. O “inverno demográfico” nada mais é do que a permanência, por décadas a fio, das taxas de fecundidade nos países europeus abaixo do nível considerado mínimo para reposição da população (2.1 filhos por mulher). Esse quadro provoca o envelhecimento da população e o decréscimo da mesma, levando os sistemas de previdência à bancarrota. Só para ter uma idéia, a Alemanha terá 12 milhões de habitantes a menos em 2050, comparada com 2006. Dados semelhantes podem ser encontrados sobre outros países. Os demógrafos especulam sobre as causas desse fenômeno, que continua a ocorrer a despeito de programas governamentais de incentivo a natalidade, causas estas que vão desde a implementação de políticas de controle populacional (como o aborto) ao abandono da religião cristã por parte da maioria da população. Não é preciso ser um gênio para verificar que isso tudo se deve a difusão do ideário feminista, laicista radical, abortista e tutti quanti por parte da esquerda do continente,tudo dentro das diretrizes de controle da população dos círculos globalistas. A geração de 68 optou por não ter filhos para gozar a vida e viver sem responsabilidades, a conta está vindo agora.

Como se não bastasse, o stablishment, além de criar a doença, oferece o veneno disfarçado de remédio. Os burocratas da UE e da ONU alardeiam aos quatro ventos que a única solução possível para o colapso demográfico é abrir mais e mais as portas dos países europeus aos imigrantes, especialmente os seguidores do profeta, é claro. Em 1° de janeiro deste ano, entrou em vigor o pacto Euro-mediterrêneo, que pretende importar mais gente ainda do norte da África, seria o golpe de misericórdia. A invasão muçulmana que a Europa experimentou nas últimas décadas e que a mídia insiste em dizer que tudo não passa de uma conseqüência inevitável das “forças do progresso” nada mais é do que uma estratégia muito bem calculada. Bat Ye’or, no seu livro “Eurabia: the euro-arab axis” explica muito bem as manobras políticas que levaram líderes europeus, a partir dos anos 70, a aceitarem um número cada vez maior de imigrantes.

É óbvio que os líderes muçulmanos sabem da brecha aberta pela elite européia e se aproveitam para islamizar o continente via imigração em massa. Boumedienne já dizia isso em 1974, Khadafi fez o mesmo agora a pouco, e ainda aproveitou para pedir dinheiro dos países europeus para protegê-los de uma invasão de hordas de africanos. E qual é a reação dos governantes do continente? Muito puxa-saquismo, e infelizmente não está restrito aos governantes de partidos de esquerda da Europa: Sarkozy diz que o árabe é a “língua do futuro”, o presidente alemão diz que o islã é parte da Alemanha, só pra ficar nesses dois exemplos. O colaboracionismo da dita direita européia é um assunto para outro artigo.

Existe alguma reação contra isso tudo por parte dos europeus? Sim, existe, mas receio que seja incipiente e principalmente que seja tarde demais. Partidos que possuem uma plataforma crítica ao islã e a imigração em massa têm crescido nas últimas eleições, como o PVV na Holanda, o Partido Popular dinamarquês e o Partido Democrata sueco, entre outros. Todavia, o quadro é bastante desfavorável para um futuro próximo, uma vez que a população de origem imigrante está em franco crescimento e é particularmente numerosa entre os jovens, ao ponto de “Mohammed” ser o nome mais popular entre os bebês que nascem atualmente no Reino Unido. É a demografia que decidirá, em última análise, a sorte da Europa, se os partidos que acabei de citar não tiverem uma plataforma para combater as baixas taxas de fertilidade, estarão apenas “bradando contra a morte do dia”.

Eleições 2010

29/09/2010

Estamos há exatos quatro dias do primeiro turno das eleições no Brasil. Pretendo postar pouco sobre a política brasileira, tema que considero muito enfadonho para ser abordado aqui de maneira séria. E pensar que em 2002 eu assisti todos ou quase todos os debates para governador… Pretendo apenas fazer um apanhado geral do confronto para a disputa presidencial.

A eleição deste ano reflete aquilo em que se transformou a disputa política brasileira desde meados dos anos 90: uma disputa entre facções da esquerda na qual a “direita” serve apenas como mera linha auxiliar da ala mais moderada que está na disputa (sabemos muito bem que não existe direita no Brasil, até o FHC sabe disso…). Não há nenhum confronto entre ideologias e programas distintos, apenas variações sobre um mesmo tema, desde 2002 todos os principais candidatos se declaram esquerdistas, e se não fosse o Enéas Carneiro, essa data recuaria para 1998.

A candidata do Palácio do Planalto, a petista e ex-assaltante de banco Dilma Roussef, lidera as pesquisas e pode confirmar a vitória ainda no primeiro turno, fazendo o papel de tapa-buraco até a volta do molusco em 2014, pouco tenho a dizer sobre ela, além de nunca ter se retratado de seu passado guerrilheiro, quando até o Gabeira confessa que a luta armada queria nada mais do que a substituição da ditadura militar pela ditadura do proletariado . Apesar disso e de tantos outros defeitos, como os escândalos que estouraram recentemente na Casa Civil, Companheira Estela deve vencer a disputa ancorada na popularidade do seu mentor e na pusilanimidade do candidato “oposicionista”, seja no primeiro ou no segundo turno.

Por falar em “oposicionista”, José Serra é candidato ao posto de grande palhaço dessa eleição. Palhaço pois faz de tudo para se parecer um candidato governista, seja negando categoricamente ser um candidato de oposição  e declarando que Lula está “acima do bem e do mal”  seja calando-se respeitosamente sobre temas polêmicos que poderiam fazer em cacos a reputação da adversária (Foro de São Paulo, aliança PT-FARC, PNDH 3, mensalão, etc..) e reduzindo seu discurso a uma plataforma que é mais apropriada a um candidato a diretor de posto de saúde. Sua postura mudou muito pouco com a liderança da adversária nas pesquisas, está claro que ele e seu partido estão na disputa apenas para fazer figuração. Se for pra perder, que pelo menos perca com dignidade.

Mas isso, obviamente, não é surpresa nenhuma, idiota é quem achava que o vampiro ia agir de maneira diferente. O PSDB não irá atacar pesadamente os petistas, mesmo num eventual segundo turno. Primeiro, por que são um partido de esquerda e que, nas palavras do presidente de honra do mesmo, não há nenhuma disputa ideológica entre eles e o PT . Segundo, não podem criticar o passado terrorista da Dilma, pois o PSDB também tem em seus quadros ex-integrantes da luta armada, tendo o próprio Serra militado na Ação Popular em sua juventude. Terceiro, nas demais polêmicas que podiam arranhar a imagem da candidata oficial, os tucanos participaram de uma maneira ou de outra, seja redigindo as duas edições anteriores do PNDH (em 1996 e 2002), seja negociando com as FARC para a instalação de um escritório da mesma em Brasília entre outras coisas, resumindo: tucanos têm rabo preso (ou seria o bico?). Com isso, resta ao Serra debater picuinhas técnicas sem nenhum efeito prático, indo aos debates falar sobre genéricos, mutirão da catarata ou cirurgia de varizes. Justiça seja feita, tudo isso é uma síntese da “oposição” que o PSDBosta e sua filial, o DEM, fizeram ao longo dos últimos oito anos.

Tem quem fale de Índio da Costa, obscuro deputado fluminense candidato a vice de José Serra, que finalmente colocou no debate eleitoral a relação entre o PT e as FARC. Finalmente alguém falou a verdade, mas como alegria de pobre dura pouco, Índio não encontrou eco nem mesmo entre seus companheiros de partido, que dirá do seu companheiro de chapa, que não deu nem um pio sobre o assunto na televisão.

Podia falar de Marina Silva e Plínio Sampaio. Marina não é diferente dos dois candidatos principais, com a pequena diferença de que seu esquerdismo é pintado com o verde ecochato dos idiotas úteis pós-modernos, ganhando votos apenas daqueles que estão de saco cheio da polarização entre petistas e tucanos e Plínio, mesmo em idade avançada e com o típico histrionismo do P-Sol, consegue debater melhor que os outros concorrentes.

Frente a isso, os conservadores que conheço fazem aquilo que causou a ruína daqueles que, ainda que mal e porcamente, o representavam no cenário político. Continuam sevindo de capachos dos nossos mencheviques, sob risíveis justificativas como “mal menor”, “menos pior” ou “ganhar tempo para que apareça uma reação”. O menos pior também é ruim, serve apenas para nos acostumarmos com a ruindade. No cenário eleitoral, a polarização entre PT e PSDB serve apenas para deslocar o eixo do debate político cada vez mais para a esquerda, como nos explica Heitor de Paola nesses artigos . Esse discurso de “ganhar tempo” também não é novo, se repete mais ou menos desde 1994, e particularmente não acredito naqueles que nada fizeram em dezesseis anos façam alguma coisa nos próximos quatro, se preparem para mais um “confronto” entre PT e PSDB em 2014.

Por fim, estou de consciência tranquila, não gastei um minuto sequer compactuando com essa farsa.

Post inaugural

09/09/2010

Este é o primeiro post deste blog, como não deve ser sobre os assuntos que pretendo abordar por aqui, não pretendo me alongar muito. Esse blog nasceu da vontade de um jovem estudante de Porto Alegre em mostrar e comentar notícias, fatos e opiniões ao qual este julga serem distorcidas, quando não simplesmente ocultadas pela grande mídia, em especial a mídia brasileira.

Não pretendo me considerar mais inteligente do que os outros, embora por vezes eu pretenda evidenciar a idiotice alheia, considero ser portador de uma inteligência apenas mediana, mas suficiente para ver algo a mais do que é veiculado no jornal ou na televisão. Apesar de meus vinte e poucos anos, minha experiência de vida é suficiente para saber que há muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha um telespectador do Jornal do Almoço.

O nome do blog nasceu após meses de dúvidas quanto a isso. É um nome deveras polêmico e sei muito bem disso, mas não estou aqui para bom-mocismos. O Antijornalista veio ao mundo com esse nome justamente por que o verdadeiro jornalismo no Brasil e em boa parte do mundo ocidental perdeu sua função primordial de contar ao seu interlocutor aquilo que realmente acontece, tendo a palavra “jornalista” perdido todo o seu sentido original.

Por fim, não tentem inserir este que aqui vos tecla numa tendência ideológica com alguma referência na política nacional, não há nada na política brasileira com que eu me identifique, digo somente que sou apenas eu mesmo.

Abraço.